Quaresma: Via-sacra é «temperada» a cada ano com a vida do crente

Cónego José Paulo Abreu apresenta no programa ECCLESIA, as tradições e propostas que no tempo quaresmal se vivem na arquidiocese de Braga

Braga, 27 fev 2026 (Ecclesia) – O cónego José Paulo Abreu diz que a realização do percurso da Via-Sacra, que recorda os últimos passos de Jesus até ao calvário e à morte, são “temperados, a cada ano” com a vida de cada crente que atualiza esse caminho.

“Eu estou convencido que cada pessoa que faz a Via-sacra, em cada ano que a faz, põe lá um tempero diferente. E o tempero que lá põe é o que se passa na sua própria vida: o sofrimento que tem naquele ano, aquilo que a está a atormentar, a cruz que a pessoa tem e que a faz sentir-se sósia de quem levou uma cruz por todos nós. Cada um tem a sua própria vivência, tem as suas próprias mágoas”, explica à Agência ECCLESIA.

O deão do cabido da Sé de Braga explica que o fazer memória do caminho de Jesus é “um ícone” do tempo da Quaresma e que a sua realização se espalha pelas várias comunidades na arquidiocese.

“As pessoas têm esta vontade de fazer mimética do que Cristo fez, do caminho que Ele percorreu, da estrada. É com muito gosto e com muito bucolismo que as pessoas vivem isso. A Via Sacra é uma devoção que diz muito também do caráter do nosso povo. Nós somos um bocadinho de lábios virados para as botas”, reconhece.

O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, vai ao longo da Quaresma dar a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, destacando na segunda conversa com o cónego José Paulo Abreu o significado da Via-Sacra e o lugar da música nos 40 dias que antecedem a Páscoa, e que em Braga assumem importância.

O responsável refere-se concretamente ao percurso da Via-Sacra realizado no Santuário do Bom Jesus do Monte que como uma possibilidade de caminhar da “cidade terrena para a cidade celeste”.

“Partimos da nossa realidade, da nossa teia do dia-a-dia, das nossas consumições, do emaranhado que é a nossa vida, com todas as complicações e chatices. E agora vamos entrar noutro espírito, noutro ambiente, vamos para outro rumo, vamos para outra cidade”, traduz.

O cónego José Paulo Abreu destaca o pórtico do Bom Jesus que permite “feito para simbolizar a entrada na cidade celeste”.

A música está presente nas ruas da cidade de Braga mas também em ofertas culturais que procuram traduzir como “pela beleza se pode chegar ao belo”.

“Há muita gente hoje que já não vai à igreja para ouvir o senhor padre, mas ainda vai à igreja para ver o retábulo, que é muito bonito, a imagem que é fantástica, ou vai para se deliciar com a beleza de uma música, de um coro, de uma orquestra. E a música na liturgia, em rigor, não é para que alguém brilhe. Não é para espetáculo, mas para ampliar o sacramento”, explica.

O cónego José Paulo fala no “esmero e dedicação” que os coros, “da Sé, do grupo de seminaristas” colocam na atuação.

“Temos a sorte de em Braga contarmos com alguns compositores que são absolutamente soberbos. Realço o cónego Manuel Faria que, no meu entendimento, é dos compositores portugueses que melhor soube adequar a música com a letra. Mas também Azevedo Oliveira, um compositor que ainda está vivo e que também compôs”, reconhece.

“Se as músicas são bonitas e os músicos são bons, se os cantores são bons, como é óbvio no final, somos lavados ao sétimo céu pelos acordes”, sublinha.

A conversa com o cónego José Paulo Abreu vai estar no centro do programa ECCLESIA, na Antena 1, com emissão sábado às 06h00.

LS

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