«Vou ver o Senhor» é a primeira das proposta apresentadas no programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, ao longo do tempo quaresmal pelo cónego José Paulo Abreu
Braga, 20 fev 2026 (Ecclesia) – O cónego José Paulo Abreu disse que as tradições quaresmais na Arquidiocese de Braga revelam uma simbiose entre a “Igreja e a sociedade” e são uma “oportunidade para evangelizar e partilhar o mistério vivido”.
“Nós sabemos que em Braga há um acréscimo de turistas durante este período e também sabemos que este é um tempo oportuno para fazermos evangelização, para passarmos a mensagem e também para partilharmos com as pessoas os mistérios que celebramos”, explica à Agência ECCLESIA o deão do Cabido da Sé de Braga.
“Nós ajudamos com as atividades que organizamos, dinamizando a sociedade em muitas vertentes: na espiritual, obviamente, mas também na vertente humana, social, na vertente turística, na vertente económica”, reconhece.
O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, vai ao longo da Quaresma dar a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, destacando na primeira conversa com o cónego José Paulo Abreu as ofertas culturais, a Via-Sacra e a tradição do Lausperene que se realiza nas igrejas da cidade durante o tempo quaresmal.
“O Lausperene foi agarrado com muita força em Braga. E as pessoas dizem «vou ver o Senhor» quando se deslocam para a adoração ao Santíssimo. Este vou ver o Senhor é como quando se vai visitar alguém de quem se gosta. É uma vontade de encontro, implica um afeto, um querer estar com. É muito interessante que as nossas gentes sintam isto e sentem-no vivamente durante este período”, traduz.
O “louvor perene” teve início na Sé de Braga, na quarta-feira de cinzas, vai percorrer as igrejas da cidade e termina na quinta-feira santa, no Instituto Monsenhor Airosa, Instituição Particular de Solidariedade Social que se dedica ao “acolhimento e orientação educativa a pessoas do sexo feminino que, encontrando-se em situação de carência moral e/ou sócio-familiar, necessitam de especial apoio em ordem à sua integral promoção, reintegração e realização pessoal”.
“Nunca podemos desligar a comunhão com Cristo da comunhão com os outros. Sendo que nestes outros, pela lógica evangélica, dentro destes outros estão os mais desfavorecidos, favorecidos, os abandonados”, explica.

O também professor da Faculdade de Teologia dá conta da “preparação das tribunas” que acontece em cada igreja: “É a forma que o povo tem de expressar a devoção à Eucaristia. No Retábulo Mor, ou no Altar do Santíssimo, as flores, as velas, mostra o esmero e a preparação que o povo coloca no Lausperene”.
“As nossas tribunas são um bocado a nossa apologética católica face aos ataques à Eucaristia. Pode haver quem duvide ou quem leia indevidamente a realidade da presença real de Cristo na Eucaristia. Nós percebemos essa presença muito real, palpável, verdadeira, e percebemos que é qualquer coisa muito excelente. Trata-se de uma expressão muito interessante que mostra «Vou ver o Senhor»”, indica.
O responsável aponta ainda a tradição de realizar a Via-Sacra no Santuário do Bom Jesus do Monte, a par da sua realização em diferentes comunidades.
“O Santuário do Bom Jesus do Monte é mais do que isso, felizmente, mas é uma Via-Sacra. É muito bonito e é muito interessante, porque convida à via purgativa, à via sensitiva e à via unitiva”, explica.
O escadório permite aos visitantes realizar os passos das estações da Via-Sacra, ao longo de 17 capelas e do jardim, chegando ao santuário no alto e apreciar a paisagem sobre a cidade.
As celebrações quaresmais na cidade de Braga passam ainda por propostas culturais, com concertos e exposições que privilegiam artistas locais e da região, “Guimarães e Barcelos, concretamente” e juntando diferentes gerações em torno do tema.
“É pensado na perspetiva de envolver toda a gente: desde os mais pequenitos a viverem, a participar, a perceber, a trabalhar interiormente a Quaresma e a Semana Santa”, explica.
“Todos esperam que as ruas estejam muito bem ornamentadas, isso começa a preparar-se antes da quarta-feira de cinzas. E por estes dias as nossas ruas estão engalanadas, já têm motivos alusivos ao que se vai celebrar. Costuma haver uma música de fundo, nas ruas. Eu diria que não há quem consiga escapar ao ambiente que se vai criando logo a partir deste exterior”, finaliza.
A conversa com o cónego José Paulo Abreu vai estar no centro do programa ECCLESIA, na Antena 1, com emissão sábado às 06h00.
LS
