«A cruz é o maior monumento de amor que Deus espetou na história da humanidade», explica o Deão do Cabido da Sé de Braga, que apresenta no programa ECCLESIA, as tradições e propostas que no tempo quaresmal se vivem na arquidiocese de Braga
Braga, 06 mar 2026 (Ecclesia) – O cónego José Paulo Abreu disse que nas tradições que atualizam em Braga a Procissão dos Passos, que recorda o julgamento de Jesus, o encontro com a sua mãe e o caminho para o Calvário, tem de “haver ‘tremurinha’”.
“Lembro-me que nas primeiras vezes que fiz o sermão, um colega veterano dizia-me que tinha que ter alguma ‘tremurinha’, tinha de colocar sentimento, tinha que fazer vibrar. As pessoas de fato ficam emotivas, porque no meio de um cenário daqueles onde responde a maldade humana para com Jesus, aparecer assim a mãe, é um oásis”, ressalta à Agência ECCLESIA.
A primeira grande procissão dos Passos, que decorre nas paróquias da cidade, é organizada pela Irmandade de Santa Cruz e decorre no largo da igreja homónima, envolvendo muita gente na sua preparação e organização, com várias semanas de antecedência.
“Esta Procissão dos Passos convida-nos a seguir o caminho que Jesus fez entre o Pretório do Pilatos e o Calvário e é marcada por três grandes momentos: o sermão do Pretório, o sermão do encontro de Jesus e Maria, e o sermão do Calvário”, explica.
O cónego José Paulo Abreu recorda o segundo momento da procissão, “o encontro de Jesus com a imagem de Nossa Senhora das Dores” como um instante de “grande emoção”.
Na comunidade de Celeirós, onde acontece uma das primeiras Procissões dos Passos do tempo quaresmal, toda a paróquia se envolve na preparação antecipada.
“Eles fazem três encenações para cada momento e ajuda as pessoas a interiorizarem toda a parte dos evangelhos onde se escuta esta narração: desde o interrogatório de Jesus, em que ironizam com ele, em que lhe batem com chicotes, lhe põem a coroa de espinhos na cabeça, em que o levam diante da multidão a perguntar quem é que escolhem, assistimos Pilatos a lavar as mãos. Portanto, tudo isto, este sermonário serve para que as pessoas possam fazer toda a viagem bíblica, e percorrer com Jesus todo esse percurso”, regista.

O responsável dá conta de “ruas cheias a acompanhar as cenas”, e acrescenta que para muitas pessoas “este é o programa de domingo à tarde”, ir de paróquia em paróquia acompanhar a procissão.
“Há muita gente que só vai às paróquias nesta ocasião. Outros que sabem de cor onde são os onde são os passos em cada domingo. Este é o programa do domingo à tarde. Depois vão ver também comentar se o pregador é bom ou não”, indica.
O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, está, ao longo da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, destacando ainda nesta terceira conversa com o cónego José Paulo Abreu uma atividade que nos dias 13 e 14 de março marca as paróquias e os movimentos, denominada «24 horas para o Senhor».
A iniciativa ganhou forma a partir da assinatura da Bula «Misericordiae Vultus», assinada em 2015 pelo Papa Francisco, onde os cristãos eram convidados à adoração eucarística.
“As paróquias da cidade concretizam o culto contínuo durante 24 horas, organizando-se nas horas permite ir passando por todas, e a organização engloba também dois dos movimentos de Braga: o Movimento Shalom e a Opus Dei”, explica.
A mensagem que D. José Cordeiro, e os bispos auxiliares de Braga, assinam para a Quaresma – «Jardim da Esperança» – inspira também outra tradição existente na arquidiocese que é a ornamentação das tribunas e das cruzes, este ano também marcada pela “tónica da paz”.
“O mundo está em confusões mais que muitas, em ameaças mais que tantas, não é? Vivemos debaixo de uma ‘espada de Dâmocles’, à espera do que vai acontecendo, mas com alguma apreensão. E as simbólicas das nossas tribunas vão apelando para estas temáticas da atualidade e chamam para o tempo que vivemos”, explica.
A cruz como “o maior monumento de amor que Deus espetou na história da humanidade”, aponta o cónego José Paulo Abreu, não deve , por isso, “ser apenas um símbolo de dor, de peso ou negritude”.
A conversa com o cónego José Paulo Abreu vai estar no centro do programa ECCLESIA, na Antena 1, com emissão sábado às 06h00.
LS
Quaresma: Via-sacra é «temperada» a cada ano com a vida do crente
